“Segundo Ademir Treichel, diretor da Unidade municipal de Reinserção Social Rio Acolhedor, em Paciência, como não existe abrigamento compulsório de adultos, apenas 30% do total das pessoas acolhidas ficam no abrigo para tratamento...
– Muitos saem do ônibus e vão embora imediatamente. A mesma pessoa é acolhida por diversas vezes. O abrigamento não é compulsório no caso de adultos. Na rua, essas pessoas tem toda liberdade do mundo e não precisam respeitar horários. Elas são doentes e não tem o poder de discernimento. Por isso, sou a favor da internação compulsória – comentou Ademir Treichel, lembrando que a unidade oferece cursos profissionalizantes, de alfabetização, lzaer, biblioteca, sala de computador e piscina, entre outras atividades”.
Continuando na reportagem, destaco dados de pesquisa feita pela Secretaria municipal de Assistência Social do Rio com 3.194 adultos acolhidos, entre março de 2011 e abril deste ano. Das pessoas em situação de rua acima de 18 anos, 24% responderam que são dependentes de crack, 20% de álcool, 15% de cocaína e 12% de maconha. Ao compararem o uso de diferentes tipos de drogas com faixa etária, o crack predomina entre jovens e adultos com idades de 18 e 25 anos, 36 a 30 anos e 31 a 35 anos. Já na faixa de 36 a 40 anos a maioria se declarou usuária de cocaína, seguida de álcool, crack e maconha.
Ainda na reportagem, são trazidos dados de uma outra pesquisa do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em prontuários de 61 adolescentes atendidos no local, no segundo semestre de 2010.
Pela pesquisa do Nepad, para esses jovens, sai caro sustentar o vício. Em média, eles gastaram R$ 550,00 por semana, sendo que o gasto mais caro foi de R$ 740,00 para o crack, de R$ 550,00 para a cocaína e, de R$ 140,00 para a maconha. Além disso, 48% alegaram a prática de roubo e 36% de assalto a mão armada para custear o vício. Entre os usuários de crack, 63% praticaram roubo e 45% assalto.
“Segundo a diretora do Nepad, Ivone Ponczek, dos atendimentos feitos no local, a classe baixa é predominante entre os usuários de crack.
– A disseminação visível do uso do crack está relacionada com amiséria do país. Observamos neste perfil o desamparo social e a desorganização familiar – comentou Ivone”.
É claro que o contexto local pode levar a termos variações nos resultados estatísticos, já que o público pesquisado foi da capital (município do Rio de Janeiro). De qualquer forma, acredito que as diferenças não mudem tanto esses perfis e, se as pesquisas fossem feitas aqui em Guapimirim, encontraríamos semelhanças. Considero muito importante que haja um aprofundamento sobre o tema, com análise de nossa realidade atual e futura em decorrência dos impactos para nosso município devido sua proximidade com a capital, nosso crescimento populacional e, do Comperj. Vejo como indispensável que essa discussão considere a necessidade de adoção de políticas públicas para a implementação e continuidade de programas que integrem as áreas de Ação Social, Saúde e Segurança Pública, tanto numa abordagem preventiva como para o acolhimento e tratamento de usuários.
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Juçara Cerqueira (Psicoterapeuta da Humanitá)