sábado, 1 de setembro de 2012

MUDAM as FAMÍLIAS, MUDAM as MANEIRAS de TRABALHAR

Dando continuidade ao tema anterior sobre as questões sociais decorrentes das novas organizações familiares, trago a publicação de Rosiska Darcy de Oliveira (escritora) do jornal O Globo de 1/9/2012. Vamos tratar um pouco sobre mudanças nas famílias, e nas maneiras de trabalhar. 

“Uma revolução sempre esconde outra. A transformação das famílias “pai, mãe e filhos” em um leque de possibilidades existenciais, revelada em pesquisa do IBGE, é uma porta de entrada para compreender a complexa articulação entre família e trabalho e como nela se está gestando uma revolução invisível. No rastro da transformação da família está vindo do mundo do trabalho.
Se metade da família brasileira já não corresponde ao modelo casal com filhos vivendo sob o mesmo teto, nem por isso a família se desfaz. Ela resiste, assume formas inusitadas e afirma-se como de fato é: laço afetivo, uma realidade econômica e, quando há crianças, um espaço de transmissão de valores e comportamentos. Intimidade, gratuidade e solidariedade ancoram, hoje, nessas novas configurações multifacetadas.
Essa grande diversidade traz novidades: o menor número de filhos – ou nenhum filho – e o fato de que homens e mulheres exercem, ambos, atividades lucrativas e colaboram com suas rendas para o sustento da família. A criação dos filhos se dá nos interstícios de duas vidas profissionais. No cotidiano dos casais ou dos indivíduos, homem ou mulher, que sozinhos assumem essa responsabilidade, o tempo se torna um bem escasso e precioso.
O mundo do trabalho estava preparado para acolher os problemas da vida privada...
A vida privada que o mundo do trabalho ignorava perpassa, hoje, os departamentos de RH. Flexibilidade nos horários, possibilidade de trabalhar em casa alguns dias da semana. Já não soa como uma aberração. Ao contrário, está sendo experimentada nas empresas como uma solução. As tecnologias do informação ajudando, a jornada de trabalho vai perdendo seu caráter fabril onde reinam o contramestre e o relógio de ponto, incorporando a virtualidade do desempenho profissional avaliado pelo cumprimento de metas e não pelo tempo de permanência nos escritórios. Não se trabalha menos, apenas de maneira diferente. O local de trabalho do século XXI será, cada vez mais, para muita gente, o ciberespaço.
Essas alternativas que aliviam a pressão do tempo colocam as empresas inovadoras no coração da modernidade, exemplo estruturante para a sociedade brasileira. Que ninguém se engane: as demais serão cada vez mais confrontadas a essa questão. Assim como a família mudou – e justamente porque ela mudou – a maneira de trabalhar está mudando. Quem viver verá”.

Ao ler essa opinião da escritora Rosiska, não vejo como não concordar e endossar plenamente. Sem dúvida nenhuma, o mercado de trabalho formal precisa considerar essa nova realidade das organizações familiares para estabelecerem seus modelos de gestão de pessoal, de estruturação de seus processos produtivos, e de reconhecimento e desenvolvimento de seus recursos humanos. 
Do outro lado, torna-se crucial para que os indivíduos possam compor a classe produtiva, que as políticas públicas priorizem dar suporte a essas novas organizações familiares, principalmente,  quando vemos municípios como Guapimirim, que pela proximidade com a capital e a pouca oferta de emprego local, leva a que provedores dessas organizações familiares busquem oferta de trabalho fora de nosso território geográfico. No caso de Guapimirim, o deslocamento diário entre casa-trabalho-casa toma aproximadamente 3 a 4 horas. Ora, como manter sua qualidade de vida pessoal e familiar e responder produtiva e satisfatoriamente, se não tiver como deixar seus filhos sob cuidados com garantias para sua segurança e educação ? É nesse ponto que destaco a importância das creches municipais além, é claro, da ampliação de ofertas de emprego e de renda localmente, ou seja, das políticas públicas pensadas com base nessa nova realidade de organizações familiares.
De qualquer forma, todos nós, cidadãos comuns, empresários ou representantes dos poderes públicos, não podemos deixar de pensar e repensar nesses pontos abordados acima, para o redesenho de modelos de gestão de pessoal e de políticas públicas. O eixo central continua e continuará a ser como mola propulsora para a organização das sociedades: A FAMÍLIA.
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Juçara Cerqueira
Psicoterapeuta da Humanitá