A família brasileira tem mudado ao longo dos anos. De acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2010, o tradicional modelo de família composta por um casal e filhos vem se transformando como demonstram os índices do Censo que indica 75% em 1980, 65% em 1991, 60% em 2000 e 49,9% em 2010.
Esse novo perfil pode ser explicado por diferentes fatores:
- a inserção da mulher no mercado de trabalho (em 1969 elas eram 27,3% da força de trabalho e em 2009 são 43,6%);
- a independência financeira feminina (em 1991 31,1% da renda total vinha das mulheres, e em 2010 subiu para 41%);
- o aumento do controle da fertilidade (em 1940 as mulheres tinham em média seis filhos e hoje tem menos de dois);
- a elevação da expectativa de vida do brasileiro (em 1940 era de 45,5 anos, até a década de 60 era de 50 anos e em 2100 deverá ser de 84 anos);
- a busca por privacidade (em 2000 eram 8,6% que moravam sozinhos e em 2010 temos 12,2%);
- a legislação sobre o divórcio;
- novas composições conjugais (60,000 lares são formados por casais gays sendo 46,2% de homens e 53,8% de mulheres) etc.
- 12,2% de FAMÍLIA UNIPESSOAL (a pessoa mora sozinha) – desses 51,2% de homens e 48,8% de mulheres;
- 66,2% de FAMÍLIA NUCLEAR (casal sem filhos, casal ou só o homem ou a mulher sozinhos com filhos próprios ou enteados) – desses 61,9% de casal com filhos, 20,7% de casal sem filhos, 15,1% de mulher sozinha com filhos e 2,3% de homem sozinho com filhos;
- 19% de FAMÍLIA ESTENDIDA (ao menos uma pessoa com outro parente que não filho ou pais) – desses 43%de casal com filhos e outro parente, 26,7% de mulher com filhos e outro parente, 10,9% de casal sem filhos e outro parente, 3,6% de homem com filhos e outro parente, e 15,8% outros tipos;
- 2,5% de FAMÍLIA COMPOSTA (pessoas sem laço de parentesco) –desses, 30,1% de casal com filhos e com não parentes, 15,8% mulher com filhos e com não parentes, 9,9% de casal sem filhos e com não parentes, 3,5% de homem com filhos e não parentes, e 40,6% de outros tipos;
- a RESPONSABILIDADE pela FAMÍLIA está representada com 61,3% pelos HOMENS e 38,7% pelas MULHERES como não dividindo as despesas, enquanto 29,6% vivem sob RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA (dividem as despesas).
Considero indispensável reconhecermos essas transformações, aceitá-las e legitimá-las dentro desse contexto social, não por questões humanitárias, mas por serem a realidade de nossa sociedade, por expressarem as organizações familiares que sustentam valores sociais e contribuem para a construção das relações humanas inclusivas, respeitosas e sadias.