domingo, 26 de agosto de 2012

A NOVA FAMÍLIA BRASILEIRA

A seguir, faço um resumo da reportagem do jornal O GLOBO de 26/08/2012 - Caderno de Economia.

A família brasileira tem mudado ao longo dos anos. De acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2010, o tradicional modelo de família composta por um casal e filhos vem se transformando como demonstram os índices do Censo que indica 75% em 1980, 65% em 1991, 60% em 2000 e 49,9% em 2010.

Esse novo perfil pode ser explicado por diferentes fatores:
  • a inserção da mulher no mercado de trabalho (em 1969 elas eram 27,3% da força de trabalho e em 2009 são 43,6%);
  • a independência financeira feminina (em 1991 31,1% da renda total vinha das mulheres, e em 2010 subiu para 41%);
  • o aumento do controle da fertilidade (em 1940 as mulheres tinham em média seis filhos e hoje tem menos de dois);
  • a elevação da expectativa de vida do brasileiro (em 1940 era de 45,5 anos, até a década de 60 era de 50 anos e em 2100 deverá ser de 84 anos);
  • a busca por privacidade (em 2000 eram 8,6% que moravam sozinhos e em 2010 temos 12,2%);
  • a legislação sobre o divórcio;
  • novas composições conjugais (60,000 lares são formados por casais gays sendo 46,2% de homens e 53,8% de mulheres) etc.
Vejamos alguns índices do Censo Demográfico de 2010 pelo IBGE que retratam bem como está a ORGANIZAÇÃO da FAMÍLIA BRASILEIRA:
  • 12,2% de FAMÍLIA UNIPESSOAL (a pessoa mora sozinha) – desses  51,2% de homens e 48,8% de mulheres;
  • 66,2% de FAMÍLIA NUCLEAR (casal sem filhos, casal ou só o homem ou a mulher sozinhos com filhos próprios ou enteados) – desses 61,9% de casal com filhos, 20,7% de casal sem filhos, 15,1% de mulher sozinha com filhos e 2,3% de homem sozinho com filhos;
  • 19% de FAMÍLIA ESTENDIDA (ao menos uma pessoa com outro parente que não filho ou pais) – desses 43%de  casal com filhos e outro parente, 26,7% de mulher com filhos e outro parente, 10,9% de casal sem filhos e outro parente, 3,6% de homem com filhos e outro parente, e 15,8% outros tipos;
  • 2,5% de FAMÍLIA COMPOSTA (pessoas sem laço de parentesco) –desses, 30,1% de casal com filhos e com não parentes, 15,8% mulher com filhos e com não parentes, 9,9% de casal sem filhos e com não parentes, 3,5% de homem com filhos e não parentes, e 40,6% de outros tipos;
  • a RESPONSABILIDADE pela FAMÍLIA está representada com 61,3% pelos HOMENS e 38,7% pelas MULHERES como não dividindo as despesas, enquanto 29,6% vivem sob RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA (dividem as despesas).
Por tudo isso, podemos dizer que as relações familiares com seus diferentes tipos de organizações cada vez mais se pautam em construção de alianças, e não mais em padrões sociais rígidos que acabam impondo mais restrições do que verdades e companheirismos.

Considero indispensável reconhecermos essas transformações, aceitá-las e legitimá-las dentro desse contexto social, não por questões humanitárias, mas por serem a realidade de nossa sociedade, por expressarem as organizações familiares que sustentam valores sociais e contribuem para a construção das relações humanas inclusivas, respeitosas e sadias.

Juçara Cerqueira
Psicoterapeuta da Humanitá
humanitarj@hotmail.com

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