sábado, 3 de março de 2012

RETRATO das DESIGUALDADES de GÊNERO e RAÇA no BRASIL

Analisando dados de 2009, apurados em pesquisa feita pelo IPEA – Instituto de Pesquisas Aplicadas, muito há que se fazer sobre políticas sociais no Brasil para inclusão social e igualdade entre gênero e raça. Ao falarmos de desigualdades de gênero e raça vários focos de análise social podem ser feitos. Para este momento, nosso olhar priorizará o núcleo da família e sua organização.

É de conhecimento geral que as organizações familiares estão mudando cada vez de forma mais acentuada e rápida. Vemos organizações familiares diferenciadas e distanciadas do padrão tradicional onde o núcleo familiar era constituído por pai, mãe e filhos com seus papéis claros e rígidos socialmente: pai provedor, mãe cuidadora e do lar, filhos sob forte e rígida disciplina e costumes morais... As famílias sofreram mudanças decorrentes do cenário externo, meio social, que acarretaram em questionamentos das regras de disciplina e costumes morais, além de mudanças nos papéis de pai e mãe. A mulher acabou por se inserir no mercado de trabalho, assumindo integral, ou de forma compartilhado com o homem, o papel de provimento à família. Novas famílias passaram a se constituir, decorrentes de separações e recasamentos, ocasionando também repensar sobre preconceitos em relação as mulheres separadas, e a quanto a ser filho de descasados. A maternidade tem se dado cada vez mais cedo acarretando em núcleos familiares com pais muito jovens, ou em filhos sem a presença da figura paterna (“produções independentes”). Maior expressão da diversidade sexual se faz presente na constituição de famílias com pais homossexuais. Enfim, a organização familiar tem tido várias mudanças que influenciam e/ou são influenciadas, direta ou indiretamente, no pensar e repensar sobre as políticas sociais para a inclusão e igualdade de gênero e raça.

Por isso, vamos olhar alguns indicadores da pesquisa do IPEA de 2009 sobre o tema:
ü  Em 1999, 787 mil famílias eram chefiadas por mulheres, mas dez anos depois, em 2009, esse índice passou para 4.1 milhões de famílias;
ü  Em 2009, o índice de pobreza, distribuição e desigualdade de renda, segundo sexo e cor/raça, apresentou uma renda média de R$ 1.491,00 para homens brancos, de R$ 833,50 para homens negros, de R$ 957,00 para mulheres brancas e de R$ 544,40 para mulheres negras;
ü  Em 1999, o índice de educação (média de anos de estudos da população ocupada com 16 anos ou mais de idade, do homem branco era da média de 7,1 anos e, do homem negro, de 4,7 anos. Em 2009, o homem branco tinha média de 8,8 anos de estudo, e o homem negro tinha 6,8 anos. No caso da mulher, em 1999, a mulher branca teve 8,0 anos, e a mulher negra teve 5,6 anos. Já em 2009, a mulher branca estudou 9,7 anos, e 7,8 anos para a mulher negra;
ü  Em 2009, a taxa de desemprego da população de 16 anos ou mais de idade, para o homem branco foi de 5,3% e para o homem negro de 6,6%. A mulher branca teve taxa de desemprego de 9,2%, e a mulher negra de 12,5%;
ü  Em 2009, a concessão de bolsa família como política social para aquelas famílias mais carentes, demonstrou o empobrecimento das famílias negras, pois 70% da distribuição foi para famílias constituídas e chefiadas por homens ou mulheres da raça negra, e 30% para famílias com homens ou mulheres da raça branca;
ü  De 19992009,  o trabalho doméstico remunerado e com carteira assinada, , indicou tratar-se de uma alternativa de ocupação para as mulheres e com tendência de crescimento, quer para a inclusão da mulher branca como da mulher negra. Em 1999, 21,2% dos empregados domésticos eram de mulheres negras e 26,9% de mulheres brancas; em 2009, passou para 24,6% de mulheres negras, e para 29,3% de mulheres brancas;
ü  Em 2009, outro importante indicador é a vitimização por agressões físicas sofridas por homens e mulheres com 10 anos ou mais de idade. Independentemente da raça, 80% das agressões aos homens aconteceram em locais públicos e, 12% em suas próprias residências. No caso das mulheres, 49% das agressões físicas foram em lugares públicos e, 43% em suas próprias residências.

Esses são números que retratam mudanças e refletem tendências na organização da sociedade brasileira. Ao serem analisados, devem ser feitos de forma transversal pois um pode impactar o outro. Como todo e qualquer indicador, devem servir como referência para que representantes de nossos poderes (executivo, legislativo e judiciário), organizações da sociedade civil (ONGs, universidades, conselhos de classe ...), lideranças comunitárias e cidadãos em geral, se mobilizem tentando entende-los e debatendo sobre O QUE e COMO FAZER para que de forma organizada, segura e com visão de futuro, possamos ter bases sólidas em nossa sociedade que garantam igualdade entre gênero e raça.
Esse exercício de reflexão e ação tem agentes diversos e com competências e responsabilidades específicas, mas também é um compromisso de TODOS. Cada um de nós pode e deve, com um olhar macro mas também com um olhar micro, pensar sobre a sua responsabilidade e participação nessa corrente para a realização de uma sociedade mais justa e igualitária que desejamos.

Acreditamos que ao SONHO e ao DESEJO, é preciso que se somem a VONTADE e a REALIZAÇÃO.

E VOCÊ, O QUE PENSA A ESSE RESPEITO ? O QUE VEM FAZENDO ? COMO ACREDITA QUE PODE CONTRIBUIR E/OU FAZER ?

Contribua com suas reflexões. Envie seus comentários e opiniões, poste aqui neste blog.
Juçara Cerqueira (Psicoterapeuta da Humanitá)

Nenhum comentário:

Postar um comentário